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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escalada do Morro Araçatuba - Tijucas do Sul - Paraná

Visão do Cume do Morro Araçatuba

Bem, após 6 meses de molho por causa do pé esquerdo quebrado (futebol é um esporte muito radical), finalmente voltei as escaladas nesse final de janeiro.

Nesse último final de semana (29/01/11) resolvemos subir o Morro Araçatuba que fica no Município de Tijucas do Sul a aproximadamente 50 Km de Curitiba. Acesso se dá pela BR 376, através do Bairro do Matulão.

Raythan, Tais, LC e Marina Chegando a Base do Morro

O Morro do Araçatuba é uma das montanhas mais frias do Paraná, pois recebe ventos sul diretamente sem nenhuma barreira.

A montanha em si tem poucas dificuldades de subida (são alguns paredões que exigem bastante das pernas, mas nada técnicos). O pessoal costuma subir a noite para evitar o sol que bate de frente à montanha, pois existem poucas arvores ou quase nada (somente no começo da trilha).

Na Floresta - Início da Trilha

No verão e primavera, o calor é intenso de dia e a noite um pouco fria. Durante os meses de inverno é normal haver geadas fortes e o solo da montanha congela. Segundo consta, ali já nevou algumas vezes.

As Barracas no Cume do Araçatuba

A duração da caminhada é entre 3 e 5 horas dependendo do preparo físico e do peso da mochila.

É Prá Lá que Vamos!!!

Em seu cume o visual é magnífico (com seus 1.680 metros), sendo possível ver a baia de Guaratuba e pequena parte do litoral catarinense

1680 metros no Cume do Araçatuba

Um tapete gigante de capim rasteiro espalha-se por quase todo o corpo da montanha até o cume.

Visão do Cume do Morro Araçatuba 2

Parte da montanha é usada como pasto pelos proprietários e, por causa dos animais, há muitas trilhas até o cume, a trilha que os montanhistas usam é bem marcada contudo, é fácil se perder mas isso não é um grande problema pois é possível ver o falso cume e utilizá-lo como referência.

As Vacas Mutantes da Trilha do Araçatuba

Por causa da baixa e alta temperatura ao mesmo tempo, é normal na serra que envolve o Araçatuba um verdadeiro mar de nuvens.

LC e Marina na Neblina

No cume, nos encontramos com os amigos do Nas Nuvens Montanhismo ( www.nasnuvensmontanhismo.com.br), o Vinicius (www.amontanha.com.br) e Allyson que estavam passando pelo Araçatuba em direção ao Baleia, para estudar o terreno para a travessia Araçatuba - Monte Crista.

Vinicius e Allyson no Cume do Araçatuba

Tivemos alguns imprevistos nessa montanhada, como uma vareta de minha barraca que quebrou, o que nos deixaria expostos ao vento e a chuva.

Barraca Quebrada

Mas conseguimos depois de algum tempo e bolhas nas mãos dar um jeito e consertamos a barraca

LC e Raythan Consertando a Barraca

Após os consertos e mais tranquilos, a noite não poderia faltar o tradicional gnochi ao molho bolonhesa regado ao vinho.

LC e Marina e o Gnochi

E também teve a estréia de minha nova iluminação.

Meu Novo Tripé Multiuso

Choveu um pouco a noite, mas a temperatuva manteve-se estável, sem o frio rotineiro.

De manhã, logo as 6 hs o cume estava todo tomado pela neblina, mas que logo dissipou-se deixando o visual claro e pudemos contemplar o amanhecer.

Amanhecer no Morro Araçatuba

Aproveitamos o tempo para tirar mais fotos e começamos os preparativos para o retorno.


LC no Cume do Araçatuba
As 10:30 hs, nos despedimos do cume do Araçatuba e iniciamos a descida.

A Inevitável Volta

As 12:30 hs, estávamos de volta ao carro, para voltarmos ao mundo real, em Curitiba, mas nunca dizendo adeus e sim, um até logo para uma das montanhas mais gostosas e bonitas do Paraná!!!

Tracking GPS Morro Araçatuba

Caso queira ver todas as fotos que tiramos dessa aventura no Morro Araçatuba, segue abaixo o link:

http://picasaweb.google.com/theossi2/MorroAracatuba29012011


OK, até a próxima aventura!!!

Dúvidas, sugestões ou críticas, fiquem a vontade para me enviar um e-mail: theossi@gmail.com

L.C. Theossi

PS: Abaixo um pequeno vídeo da subida de um dos paredões do Morro Araçatuba:


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Escalada ao Morro Caratuva (ou quase...)

Bem pessoal, continuando com as caminhadas pelo Paraná, nesse último final de semana (18 e 19 de abril) atacamos o Morro do Caratuva, o segundo maior Pico do sul do Brasil, com 1850 metros de altitude.

Primeiro vou falar um pouco sobre esse lindo Pico do Sul do Brasil:

Morro Caratuva

Um passeio que vale a pena pelo visual e pela agradável caminhada por um dos trechos mais bonitos e preservados de mata atlântica no Brasil.

O Caratuva é a segunda maior montanha em altitude da região sul do Brasil, com 1850 metros.

A vegetação é composta em quase sua totalidade em Floresta Ombrófila Densa Montana e Alto-montana e de refúgios ecológicos.

Diferencia-se das outras montanhas próximas pela presença das antenas de rádio amador em seu cume, as quais podem ser vistas de longe.

A subida ao cume leva em torno de 3 horas, atravessando paisagens de rara beleza dentro da Floresta Atlântica, passando por rios, bromélias e caraguatás.

No seu cume a vegetação característica da região é a Caratuva, uma espécie de bambu anão de altitude e que batiza a montanha.

Uma planta agradável ao toque e de rara beleza.

Caratuvas

Do alto é possível avistar ao Leste o conjunto Ibeteruçu aonde localiza-se o Pico Paraná, litoral paranaense, principalmente a baía de Antonina. A Oeste, a represa do Capivari. Ao Norte, o Taipabuçu e o Ferraria. E na porção Sul / Sudeste / Sudoeste destacam-se o Itapiroca em primeiro plano, a seguir o Tucum e Camapuam e ao longe o imponente Ciririca.

Pico Paraná

Morro Ciririca

Baía de Antonina

Morro Itapiroca

Mais ao longe se avistam as montanhas das serras da Graciosa, Baitaca e do Marumbi.

A caixa de registros se encontra atrelada à segunda antena de Rádio Amador.

Sempre é bom lembrar que a área é caracterizada como área de preservação permanente .

Assim, todo o cuidado é pouco.

E lembre-se de seguir todas as regras de visitação de mínimo impacto.

Outro aviso importante é com relação às lanternas!

Como a maioria dos "acidentes" é causada direta ou indiretamente pela falta delas, é proibida a entrada na Fazenda Pico Paraná, de qualquer visitante que não esteja com sua própria lanterna e apito.

Vale a pena uma atenção redobrada, hein!


Agora Nossa Aventura:

Partimos de Curitiba as 6:30 hs em direção a Fazenda Pico Paraná pela BR-116.

Após o trevo do Atuba em Curitiba, são exatos 40 Km até o posto Tio Doca, que é avistado na BR-116 do lado esquerdo.

Passando o posto Tio Doca, loga a frente tem a ponte do Rio Tucum, no qual deve-se entrar a direita (antes da ponte) e seguir por uma estrada de chão batido por 5,5 Km.

Pronto, chegamos a Fazenda Pico Paraná.

Fazenda Pico Paraná


Após um breve período para preparativos, alongamento, fazer o cadastro e pagar as taxas da fazenda (R$ 10,00 por pessoa, no horário entre 7:00 e 20 hs, após as 20:00 e antes das 7:00 hs o valor é de R$ 15,00) iniciamos a subida do Morro Getúlio as 8:00 hs.

O Morro Getúlio é tem uma inclinação um pouco pesada e é considerado de nível médio para os praticantes, embora nós que não estamos com a forma física ideal achamos ele bem difícil e que exige demais das pernas.

Trilha do Morro Getúlio

Após 1,5 horas atingimos o pico do Morro Getúlio. Uma breve pausa para fotos e água e partimos a trilha do Caratuva.

Aí começaram nossos problemas...

Primeiro, por informações erradas de alguns companheiros que trabalham comigo e conheciam o local, estavámos com as mochilas carregadas de água, pois próximo ao cume do Caratuva não existe água... as costas estavam doendo e o cansaço estava batendo mais rápido que o esperado.

Chegando a bifurcação entre as trilhas do Caratuva e do Pico Paraná, decidimos que não atacássemos o Caratuva de frente, pegando a trilha mais utilizada para subir por ser um pouco pesada, então partimos em direção ao acampamento 1 para tentar subir o Caratuva por lá, onde a subida é um pouco mais leve.

Subida para o Caratuva de Frente

Já cansados e não conhecendo os arredores, seguimos em frente, pois com todo aquele peso seria mais fácil uma subida mais leve do que encarar de frente o cume do Caratuva.

Bifurcação - Trilha para o Caratuva - Pico Paraná

Um grande erro de estratégia...

A 10 minutos dali nos deparamos com uma bica com águas extremamente geladas e limpa... e pensar que estávamos carregando todo aquele peso até ali sem necessidade. Na volta ao trabalho vou conversar com os colegas sabichões que me deram essas dicas... :-)

Bica de Água

Seguimos em frente em um sobe e desce morros, com suas raízes a mostra e umas pequenas escaladas, numa trilha muito bonita e agradável de se caminhar, pela conservação e diversidade ecológica.

Trilha para o Pico Paraná

Exatamente ao meio dia chegávamos ao acampamento 1, que é muito utilizado pelos montanhistas para uma rápida parada ou até uma primeira pernoite.

Lugar maravilhoso, com visão privilegiada para o Pico Paraná, Morro Caratuva, Ciririca e a Baía de Antonina.

Vista do Acampamento 1 - Morro Ciririca

Vista do Acampamento 1 - Baia de Antonina

A partir dali estávamos apenas eu e a Marina, pois o Ale e a Gabriela precisavam voltar para Curitiba, pois ele ainda trabalharia à noite.

o Ale nos mostrou com a maior boa vontade onde ficava a trilha para o Caratuva deixando inclusive algumas marcas para seguirmos e partiu de volta com a Gabriela...

Aí começaram nossos problemas...

Descansamos alguns minutos e iniciamos o ataque para o Caratuva.

Primeiro precisaríamos subir um morro menor, o qual batizei de morro do inferno, por não saber o nome e por ser extremamente difícil sua subida.

Morro do Inferno

Mochila pesada, abrindo caminho por meio das caratuvas no peito e uma subida de tirar o fôlego.

30 minutos depois, quase no cume do morro do inferno, nos deparamos com uma grande pedra com uma corda para a subida.

Tentamos escalá-la mas foi impossível. Tudo muito liso, sem pontos de apoio e cansaço extremo...

A solução seria descer...

Voltamos abrindo caminho por entre as Caratuvas novamente e decidimos ficar no acampamento 1 mesmo.

LC no Acampamento 1

Conversamos com alguns montanhistas de passagem que disseram que esse caminho que havíamos tentado é mais utilizado para descida e a subida é feita pela bifurcação antes da bica, conforme o Ale havia dito.

Arrumamos as coisas para o jantar e veio a noite.

De jantar, um delicioso gnochi ao molho bolonhesa com suco de uva.

Gnochi entre as Montanhas

Mais tarde, um outro montanhista, o Paulo, juntou-se a nós trazendo uma garrafa de vinho Periquita, que caiu muito bem.

Paulo e LC no Acampamento 1

Uma noite fria, por volta de 5 graus e com muito vento.

Mesmo dentro da barraca, dentro do saco de dormir, estava um pouco frio.

Era impossível dormir mais de 20 minutos seguidos, pois não levamos isolante térmico e as costas congelavam. Ficavamos virando de lado, de bruço, de lado de novo a cada 15 minutos, torcendo para amanhecer logo.

7 horas da manhã levantamos, tomamos o café e resolvemos arrumar as coisas para a volta.

LC com o Pico Paraná ao Fundo

9:30 hs, após ver o maravilhoso nascer do sol, olhar para o Caratuva com um pequeno sentimento de frustração, partimos de volta pela trilha.

LC e o Morro Caratuva, ao Fundo - Até Dia 01 de Maio

A trilha foi bem tranquila e após 1,5 horas estávamos novamente na bica.

Marina na Bica

Comemos um lanche rápido e algumas bolachas e seguimos para o Getúlio.

Bem no cume do Getúlio que foi nosso maior problema, a Marina torceu o pé bem ao lado da pedra do Grito e seu tornozelo virou uma bola.

Pedra do Grito - Cume do Getúlio


Algumas lágrimas depois, eu fiz uma atadura, passei Gelol e dei a ela um relaxante muscular. Fizemos um par de muletas de galhos de árvores e tentamos iniciar a descida do Getúlio.

Marina e suas Muletas de Galhos

Algumas pessoas estavam na pedra do Grito e ofereceram ajuda, mas eles estavam indo em direção ao Pico Paraná e não descendo de volta, por isso iniciamos lentamente a descida do Getúlio.

A Marina ia descendo passo após passo, evitando encostar o pé esquerdo ao chão e eu ia na frente, sendo utilizado como escora as vezes e outras vezes tentando descrever o caminho e qual o cuidado que ela deveria tomar.

Marina e o Sofrimento da Descida

Após quase 3 horas (o que normalmente gasta-se no máximo 1 hora), muitas paradas e gemidos, chegávamos novamente a Fazenda Pico Paraná.

Exaustos, com dores nos pés, nas costas e em músculos que nem sabíamos que existiam, sentamos no gramado e tomamos muita água diretamente da fonte que existe lá.

Após todo esse sacrifício, dores e infelizmente essa contusão da Marina, só tínhamos uma grande certeza:

"Isso não vai ficar assim! Dessa vez o Caratuva nos venceu, mas no dia 1 de maio estaremos aqui de novo, pois perdemos a batalha, mas estamos longe de perder a guerra!"

LC e o Morro Caratuva

E para finalizar, Caratuva, nos aguarde, que dia primeiro de maio estaremos em seu cume nos divertindo com essa história e lembrando o quanto é maravilhoso estar em contato com a natureza, viver em harmonia, superando seus obstáculos e vendo o mais lindo por do sol do sul do país..."


Video do Acampamento 1 (Pico Paraná, Baía de Antonina, Morro Ciririca, Morro Itapiroca e Morro Caratuva):



Se quiserem ver as fotos dessa aventura, entre em:

http://picasaweb.google.com/theossi2/MorroCaratuvaPicoParanaCiriricaBaiaDeAntoninaEItapiroca#

Grande abraço e até dia 01/04/09.
LC

Dúvidas, dicas ou sugestões, estejam à vontade para contactar-me:
theossi@gmail.com